quarta-feira, 13 de abril de 2011

INSENSATEZ


         "- Você realmente me deseja?

      - Não perguntes o que já tens a resposta! Desejo-te mais que tudo!

    Não tive mais dúvidas e propositalmente cortei-me próximo ao pulso, superficialmente, com um dos alfinetes que seguravam o meu vestido ainda jogado ao chão. A adrenalina que estava sentindo foi tanta que confesso não ter percebido nenhuma dor ao praticar aquele ato. Alguns fios de sangue que escorreram pelo meu braço já seriam o suficiente. Aproximei meu ferimento lentamente de sua boca, que já ansiava por isso.

      Controlando-se para não me morder, provou suavemente o líquido que lhe escorria pela garganta por minha própria vontade. Nunca pensei que descreveria a sensação que tive naquele momento. Estava vulnerável a ser completamente devorada até à morte e mesmo assim, sentia deleite naquela experiência única. A sensação de que ele se alimentava de mim ao me sugar, como um ser que necessita de outro para sobreviver, me deixou num estado de tensão e prazer que nem ao menos poderia definir em palavras.

     Aparentemente assustador e perigoso, não havia nada de macabro no que estava acontecendo. Deixei apenas que bebesse um pouco do que não faria falta alguma para minha existência, mas que provocaria uma imensurável onda de prazer na criatura por quem eu me apaixonei"

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